MP apura se verba de sindicato goiano teria sido desviada para
pagar multa de Delúbio Soares no mensalão
Segundo órgão, professores filiados denunciaram desvio de
dinheiro e envolvimento da diretoria do Sintego. Multa paga pelo ex-tesoureiro
do PT foi de R$ 466 mil.
O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) apura se
verba do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás (Sintego)
foi desviada para ajudar a pagar multa de R$ 466 mil estipulada ao ex-tesoureiro
do Partido dos Trabalhadores (PT) Delúbio Soares devido ao seu envolvimento com
o mensalão. A investigação da promotora Villys Marra se baseia em depoimentos
de professores que denunciaram o caso em 2016 à Polícia Federal (PF).
Durante apuração do mensalão, Delúbio foi exonerado do cargo
de professor estadual e condenado por corrupção ativa. O ex-tesoureiro do PT
teve multa estipulada, mas foi perdoado da pena de 6 anos e 8 meses pelo
Supremo Tribunal Federal (STF). Após abrir um site para arrecadar doações para
pagar o valor determinado, ele conseguiu recolher mais de R$ 1 milhão e quitar
a dívida.
Conforme apurou a TV Anhanguera, os depoimentos foram
colhidos na sede da PF em Goiânia, que entendeu que o caso deveria ser
investigado pelo MP-GO. Nos relatos, uma das professoras afirmou que foi
convidada pela então presidente do Sintego, Ieda Leal, a participar de uma vaquinha
para ajudar a pagar a multa estipulada a Delúbio por causa do mensalão.
A educadora relata ainda que não tinha dinheiro à época, mas
emprestou nome e Cadastro de Pessoa Física (CPF) para ajudar nas transações.
Segundo ela, colegas fizeram doações de verbas do sindicato, inclusive
assinando recibos.
Outra filiada ao sindicato disse em depoimento que foi
intimada “a colaborar em campanha para levantar verbas e pagarem a multa”. A
professora conta que a então presidente do Sintego entregou a ela R$ 1 mil para
que fossem depositados na conta da própria educadora e só então transferida
conta que recebia as doações a Delúbio. Ela acredita que o valor repassado foi
desviado de verbas do Sintego.
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Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, pagou multa de R$ 466 mil por causa de mensalão |
A mesma professora contou ainda que o ex-tesoureiro do PT
compareceu ao Sintego após conseguir levantar o valor da multa para agradecer.
Um despacho da PF em Goiás também registrou denúncia de
professoras de que a então tesoureira do Sintego e atual presidente do
sindicato, Maria Euzébia de Lima, conhecida como Bia, também pediu ajuda aos
filiados para pagamento da multa de Delúbio.
O mesmo documento registrou que, nos depoimentos,
professores afirmaram que alguns membros da gestão atual do Sintego, que são
filiados ao PT, desviaram verbas do sindicato para favorecer membros do “alto
escalão do partido”.
O Sintego informou à TV Anhanguera que Ieda Leal e Bia de
Lima negam que tenham realizado doações para campanhas políticas ou pessoas.
Ainda conforme sindicato, as acusações não têm fundamento e são caluniosas,
portanto, deve tomar medidas judiciais contra os autores das denúncias.
Já a direção estadual do Partido dos Trabalhadores informou
à TV Anhanguera que não tem conhecimento dessa denúncia e que não recebeu
qualquer valor indevido do Sintego.
Inquérito
A promotora Villys Marra abriu um inquérito para apurar o
caso, do qual fazem parte, além dos depoimentos dos professores, documentos
apreendidos no Sintego. Ela garante que o material comprova que a diretoria do
sindicato cometeu crimes de peculato, formação de quadrilha e falsidade
ideológica.
“Na verdade fica claro que a utilização era de dinheiro do
sindicato, do Sintego, para bancar a multa do Delúbio Soares. Isso está muito
claro pela investigação. Os documentos apontam neste sentido, as declarações
das testemunhas. As próprias pessoas assumiram que fizeram isso e dão riqueza
de detalhes, que confirmam que esse fato realmente ocorreu”, disse em
entrevista à TV Anhanguera.
Ainda segundo a promotora, o Sintego conseguiu uma liminar
assinada pelo desembargador Carlos Alberto França, que determina “a imediata
restituição à parte requerida de todos os documentos e provas obtidos com a
quebra do sigilo bancário e fiscal da busca e apreensão desconstituídos nesta
decisão”.
Villys Marra destaca que teme que os documentos se percam e
que não seja possível dar andamento ao processo. “A preocupação é grande,
porque essas provas, uma vez devolvidas, podem ser destruídas ou então
escondidas. O prejuízo para a investigação pode ser muito grande.
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) informou que não pode
comentar a decisão dada pelo desembargador.
Fonte: G1
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